Notícias de Guaratiba

Casa de repouso em Guaratiba abriga idosos da região

Publicado em 03.08.2010

Conversando com Maria de Lourdes Ribeiro e visitando a Casa de Repouso Guaratiba na Estrada do Mato Alto número 7440, podemos entender a dificuldade de seu trabalho e a abnegação com que o executa. São 28 velhinhos que deixados ali por suas famílias, alguns recebem pouca ou nenhuma atenção dos familiares que não seja a entrega do salário social que recebem da previdência. Lourdes afirma que não fica com os cartões dos velhinhos e que seus familiares ou responsáveis têm a tarefa de sacar o salário social para pagamento das custas. Às vezes demoram semanas até que se disponham a pagar, causando transtornos no caixa da instituição.

Hoje a casa é dirigida por uma associação filantrópica que emprega 11 pessoas inclusive um médico e 4 enfermeiras, além de atendentes e cuidadores de idosos, tudo regularizado e formalmente autorizado pelos órgãos do Estado. A única dificuldade de mão de obra está sendo em encontrar um profissional voltado à terapia ocupacional.

Atualmente a casa abriga 28 idosos, o que corresponde a 60% de sua capacidade. Na sua grande maioria são oriundos de famílias carentes que necessitam de alguém que cuide do idoso para ir trabalhar. "Por exemplo, numa família às vezes para sua manutenção tanto marido como a mulher têm de sair para trabalhar, quem ficará com o idoso?", explica Lourdes esclarecendo quem leva seu velhinho para o abrigo.

Maria de Lourdes Ribeiro

No início, quando iniciou esse trabalho, Lourdes confessa que começou tentando um negócio como outro qualquer, objetivando lucro, entretanto com o passar do tempo verificou que não seria um "negócio" viável, mas a esta altura estava comprometida com seu destino e o coração falou mais alto, e hoje acaba concordando em receber pessoas idosas e acolhe-las quando ninguém mais se dispõe a isto, até porque muitos não têm condições de pagar o suficiente para sua manutenção. O abrigo, apesar de receber pagamento pelo acolhimento do idoso, ainda assim precisa de ajuda e patrocínio, pois as autoridades exigem muito, mas não ajudam em nada, e já houve caso em que o Hospital Rocha Faria encaminhou um senhor, morador de rua, para o abrigo sem que o Estado desse nenhuma compensação.

"Uma pessoa idosa que necessita de fraldas, gasta 140 fraldas por mês sem nenhum contratempo como doenças gastrointestinais ou incontinência urinária, mas o Estado só fornece 96 fraldas subsidiadas (4 fraldas a 1 real), e as outras de que necessita? As famílias não tem condições de comprar e a casa deve suprir essa necessidade", explica Dona Lourdes.

Diversas famílias da região procuram a casa de repouso porque vivem em casas precárias e sem condições de cuidar de seus idosos, hoje o abrigo tenta patrocínio pelo menos para água, luz ou aluguel. Precisa ainda de colaboradores fixos de forma a dar mais conforto aos velhinhos e equilíbrio financeiro à instituição. Outra ajuda bem vinda seria cerâmica para piso e material de construção para adaptar o local ás várias exigências dos órgãos de controle.

Enfim, toda a ajuda é bem vinda e os visitantes serão recebidos de braços abertos para conhecer o trabalho de Dona Lourdes e seu marido Paulo José, que também embarcou no projeto e no sonho da mulher.

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