Notícias de Guaratiba

Duzentas crianças de Barra de Guaratiba foram abandonadas pelo poder público

Publicado em 03.08.2010

A lei número 8.069 de 13 de julho de 1990 dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, e no seu artigo quarto define especificamente como dever da família e do Estado a sua proteção, manutenção e educação:

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Ler Estatuto da Criança e do Adolescente na íntegra http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

Mas parece que não é isso que acontece com os duzentos alunos do ensino fundamental da Escola Ana Nery em Barra de Guaratiba, recentemente fechada pela CRE de Santa Cruz por absoluta falta de condições do prédio que abriga a escola e que se encontra com problemas de estrutura. Recentemente, como já foi divulgado pelo Portal em junho/2010 (leia matéria) o prédio foi condenado pela defesa civil. Até a presente data, segundo as mães que nos procuraram, não existe nenhuma ação da Prefeitura no sentido de resolver a situação. Nenhum engenheiro ou técnico visitou a escola, absolutamente nada aponta para uma saída.

Compadecido da situação das crianças, mas sem alternativa viável no momento, o comandante do Campo de Provas da Marambaia (GEN BDA RODRIGO BALLOUSSIER RATTON), cedeu até o final do ano, uma pequena casa de dois quartos no final da vila de residências do campo, que estava desabitada. A casa de dois quartos e sala é colada ao manguezal e na ocasião em que foi ocupada pela escola existia um verdadeiro criadouro de répteis venenosos como cobras cascavéis e escorpiões. Ainda hoje, vez por outra, as crianças encontram um animal peçonhento no quintal, tanto assim que o militar recomendou a todas que evitassem brincar ao redor da casa devido ao risco de serem picadas.

Como o tráfego de pedestres no campo de provas está proibido, as crianças precisam chegar e sair da casa-escola de ônibus, e somente uma viagem do ônibus não está sendo suficiente para transportar os alunos, as mães sugerem uma outra viagem para resolver o problema de acesso.

Essas 200 crianças da primeira a quarta série do ensino fundamental são portanto obrigadas a freqüentar as aulas nos reduzidos espaços adaptados da pequena casa, sem condições de receber merenda. A diretora Iraci não tem conseguido sensibilizar as autoridades de educação da Prefeitura, e somente no final do ano essas crianças serão matriculadas em outra escola municipal da região.

Ao fecharmos essa edição no dia 03/08/2010 recebemos a notícia de que um caminhão da Prefeitura havia encostado ontem a noite (02/08) em frente a escola com operários e material de construção.

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