Notícias de Guaratiba

Castelo dos Guimarães na Ilha de Guaratiba já não existe mais

Publicado em 06.04.2010

Material cedido por Nilson Pereira Pinto (Sobrinho de Rivadávia)

Ontem, 05/04/2010 completou exatamente 37 anos que o Professor Rivadávia Pinto (em 05/04/1973) trouxe o então Diretor de Patrimônio do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Trajano Quinhões a Ilha de Guaratiba para que tomasse conhecimento de uma antiga construção situada numa colina de 75 metros de altura conhecida como Castelo dos Guimarães. Na época ali só restavam paredes de pedra de até 50 centímetros de largura, janelas semelhantes às de fortificações do século XVIII e ao lado existia uma construção que parecia ter sido ocupada por escravos.

Na ocasião, moradores das proximidades contaram à Rivadávia lendas e contos que assombravam a região. Assim relata o Historiador:

Talvez uma das causas do desconhecimento das ruínas tenha sido o medo de assombração que toma conta dos moradores quando falam nos antigos donos do castelo. Uns afirmam ter visto um capitão ”muito grande” à porta da casa principal, como que “guardando-a e protegendo a entrada dos forasteiros”. O velho Plácido, de “mais de 70 anos” é quem conta: -”Num dia de carnaval eu vi um homem. Era enorme. Pensei que fosse até alguém brincando, fantasiado, e reclamei pois estava pisando no meus pés de milho. Quando eu acabei de falar a visão desapareceu numa folha”.

Depois ele afirma que chegou em casa e foi atacado por um homem que tinha braços de cachorro. - “Era mais ou menos um lobisomem”. Lembra ele, enquanto apressadamente esconjura o demônio. Outros moradores da região afirmam que um cavaleiro anda todas as noites no caminho da mangueira grande e dizem quem vê a árvore pode perceber que ela esta caída no chão. Mas de manhã, a surpresa já não toma conta de ninguém: a mangueira volta a ocupar o seu lugar oferecendo sombra a quem passa por perto.

Hoje, o Portal Guaratiba foi visitar as ruínas do Castelo e conseguimos descobrir que as ruínas eram o que restava da casa dos “Irmãos Guimarães”, daí o nome da rua em que se situa – Rua dos Guimarães, e ao que tudo indica a casa foi construída ainda na época dos escravos, portanto anterior a 1888.

Após a abolição, permaneceu ali um tal Manuel de Praza, rezador e curandeiro que muito ajudava as pessoas que ali residiam e gozava do maior respeito entre seus vizinhos. Apesar de ser uma pessoa humilde, mantinha a tradição cultural e era comum formarem-se rodas de “ciranda” em sua modesta residência lá pelos lados do “Castelo”. Seus descendentes segundo soubemos ainda moram em Guaratiba lá pelos lados da Matriz.

Foi uma longa caminhada entre arbustos e mata fechada que cobre os acessos e a rua de pedras que chega ao “Castelo”. Hoje já não existem ruínas e todo o local foi tomado por uma vegetação vigorosa da mata atlântica. A construção que agora repousa nos alicerces do antigo castelo é uma velha casa de caseiro construída pelo atual proprietário das terras da fazenda – Sr. Valdir Azevedo.

Fonte : Jornal do Brasil,1º caderno página 22 do dia 05/04/1973