Notícias de Guaratiba

Ronaldo de Andrade faz um balanço sobre o transporte no Rio de Janeiro.

Publicado em 15.01.2010 - Texto: Ronaldo de Andrade

Dada a venda do último veículo em torno de 1998 e em detrimento do gerenciamento de uma construção naquela ocasião, fomos forçados a repetir o que fazíamos desde a infância, ou seja, usar para o deslocamento na cidade o transporte público. Dá saudades em lembrar que na nossa infância distante, até meados dos anos 50, tudo funcionava a contento como em um sonho.

Lembro-me bem que se conseguia chegar de trem da Central do Brasil até Mangaratiba, Miguel Pereira, Paty do Alferes, etc. Mesmo sem ponte para Niterói, metrô, linha Amarela ou Vermelha havia uma vasta rede de bondes que se estendia por toda a cidade, da zona sul a zona norte. Viajava-se da Praça da Bandeira até o Alto da Boa Vista e o sistema servia também a Jacarepaguá, Campo Grande e Guaratiba.

Do outro lado da Baía de Guanabara, a rede de bondes servia a Niterói e São Gonçalo e de trem atingia-se todo o Estado do RJ. Hoje passados em torno de 40 anos dessa boa época, houve investimentos bastante tímidos no sistema e talvez a nossa diferença em relação a outras pessoas é o fato de além de usar, reclamar a quem deve, sobre algumas situações que ocasionam maus serviços. Acredito que se todas as pessoas deixassem a timidez de lado ou tivesse mais confiança em reclamar talvez esses serviços funcionassem de maneira melhor, pois toda reclamação que se faz, torna-se um instrumento de colaboração com as empresas prestadoras que atendem aos inúmeros usuários.

Começando pelos próprios paulistas, muitos falam que em São Paulo as condições do transporte também são ruins. Esquecem, porém que o número de usuários nos sistemas de lá é cinco vezes maior do que aqui no Rio como também o número de carros particulares chega a ser absurdo. Temos constado, porém, nas ocasiões que visitamos aquela cidade, cerca de uma vez por mês que as condições de lá são em tudo, superiores as daqui da nossa cidade maravilhosa. Desde o final dos anos 80 que os órgãos que coordenam o transporte lá funcionam plenamente coordenados e os serviços dão de "mil a zero" em relação aos serviços do Rio. Todas as grandes estações de trem ou metrô são amplas e c/previsão p/aumento futuro no número de usuários. São completamente integradas e nas principais existem terminais de ônibus com serviços que deixam todos aqui do Rio, a desejar (em alguns há painéis até com o horário previsto de chegada das linhas).

Ônibus elétrico de São Paulo

Tem ônibus elétrico e novos ramais de trem pra todo lugar e a maioria dessas linhas presta serviços iguais aos metroviários. O metrô tem cinco linhas em funcionamento e umas quatro em construção simultânea (sem haver intervalos nas construções de uma linha p/outra). Os "corredores" que estão implantando aqui no Rio já funcionam por lá em duas versões. O "Expresso Tiradentes" (chamado de fura-filas no passado) é a versão paulista dos futuros Corredores "T5" e "Transoeste" aqui do Rio. Circulam também em corredores próprios linhas de ônibus elétricos e articulados que existem em grande número. O melhor disso tudo é que apesar de S.Paulo ter sido cidade candidata não precisou ter lá realizado nenhum evento do tipo Olimpíada, Copa do Mundo ou similares. O terminal Rodoviário do Tietê, um verdadeiro show é apenas um de uma rede de três grandes existentes na cidade (existem outros específicos p/linhas ao Nordeste e Sul do país).

Aqui, fizeram uma "maquiagem" interna na Novo Rio que melhorou bastante as condições da mesma estando, porém a parte externa e o "em torno" carente de modificações urgentes. A falta deste investimento está transformando a chegada de forasteiros em nossa cidade uma verdadeira aventura. Como exemplo de nossa má coordenação podemos tomar o exemplo da Central do Brasil e suas imediações. Existe uma estação principal de trens, uma de metrô e dois "Terminais" de ônibus que não beneficiam ninguém. TODOS CONCORREM ENTRE SI com linhas que partem para vários locais em comum fazendo com que ninguém leve alguma vantagem, principalmente o usuário. Aliás, chamar aquele da Central de "Terminal" é uma ofensa ou deve ser entendido como "Terminal - o fim de tudo", naquele caso. Sem dúvida, o "Américo Fontenelle" é o pior da cidade, dada principalmente à falta de conservação e péssimas condições de higiene.

Sinceramente, espero que com a realização de tanta coisa boa no Rio, a gente consiga ter um nível melhor em nosso sistema e que nos coloque em nível de igualdade com outras cidades do mundo civilizado. Sabe-se e testemunha-se que mesmo em países mais pobres que o nosso esse item levado a sério e bastante respeitado como fundamental na vida de seus cidadãos.

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