Notícias de Guaratiba

João Batista, líder comunitário de Pedra de Guaratiba

Publicado em 15.06.2010

Cervantes no seu romance Dom Quixote, não poderia ser mais fiel àqueles que como João Batista duelam com dragões imaginários e salvam donzelas em perigo. No caso, os dragões de João Batista são políticos militantes na região que insistem em tomar méritos por obras que segundo ele, foram executadas por esforço próprio e a custa de intervenções corajosas diante dos administradores regionais, e a donzela em questão é sua amada Pedra de Guaratiba, tão abandonada e vilipendiada por ocupações predatórias e intervenções grotescas em sua paisagem.

Mas voltemos no tempo, mais precisamente há 58 anos quando o então jovem João chegava em 1952 com uma firma de terraplanagem de Roberto Pereira da Silva para execução de serviços de terraplanagem na área que seria denominada Jardim Vilamar de Guaratiba. Segundo João, apesar de ter iniciado como tratorista na região, foi se engajando nas causas sociais e comunitárias, chegando inclusive a presidir a colônia de pesca, mas recusa o título de "líder comunitário" que segundo ele, depois da morte de Chico Mendes, "ser líder comunitário no Brasil é levar tiro na cara", profetiza drasticamente sobre o tema.

Quem conhece a história do bairro acha que tudo deveria correr por conta de um senhor de nome Pedro Moacir, mas segundo João Batista o dito senhor era um "testa de ferro", os verdadeiros proprietários do loteamento eram o Lutero Vargas (filho de Getúlio) e Samuel Wagner, que colocaram até ônibus para a cidade, coisa na época tida como difícil ou quase impossível.

A área que seria terraplanada e transformada em loteamento começava nos fundos da Capela e ia até o "Morro Redondo" na beira do Piraquê. Quando houve o escândalo denominado "Porão do Catete" em que o jornalista Carlos Lacerda levantou documentos incriminadores ao pessoal ligado a Getúlio, o loteamento Vilamar foi estrategicamente vendido para a companhia Continental de São Paulo.

No alto do morro havia o convento das Carmelitas que foi dado em pagamento à firma de Roberto Silva que o derrubou e transportou suas madeiras nobres para o galpão da firma, que posteriormente foram transformadas em cadeiras e presenteadas a Lacerda. Após a demolição do convento apareceu um tratorista de nome "Mongol" que arranjou uma documentação e loteou a área do convento. Essa é a verdadeira história do Loteamento Vilamar, segundo o Sr. João, o que indiretamente ajudou a Pedra de Guaratiba a não se transformar numa grande favela.

Com relação aos dragões, João encara atualmente uma briga pela autoria do projeto que providenciou a colocação de 554 m de meios fios num trecho da Rua Belchior da Fonseca. Conta, oferecendo toda a documentação que originou o processo em suas várias etapas, que ele foi o único autor deste processo que acompanhou desde 2006 quando deu entrada na Administração Regional. Quando o prefeito Eduardo Paes visitou a Pedra de Guaratiba em 2009, segundo suas palavras, interpelou o prefeito sobre o projeto, ocasião em que foi apresentado ao Engenheiro Chefe Dr. Caetano do Departamento de Obras. Após a realização da obra pediu na Administração Regional uma cópia de todo o processo desde sua origem para que ficasse patente sua participação no episódio que desencadeou a construção do meio fio.

Ficou surpreso ao ver uma faixa dando crédito da referida obra à Vereadora Nereide Pedregal, e indignado resolveu panfletar desmentindo o fato. Após o episódio foi intimado a prestar esclarecimentos na delegacia sob acusação de injúria e agora trava uma batalha jurídica com a Vereadora.

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