Notícias de Guaratiba

Lendas urbanas essa praga da Internet

Publicado em 17.05.2010

Volta e meia recebemos emails importantíssimos, que sempre nos dizem que devemos passar adiante por precaução ou amor ao próximo, e outras apelações do gênero. Sempre que recebo um email desses faço uma pesquisa e numa rápida verificação descubro o engodo e não ajudo a espalhar esse tipo de praga, que às vezes pode até ser divertido, mas é perfeitamente dispensável. Esta semana, no entanto recebi um email que de certa forma me ajudou a esclarecer uma dúvida e enriqueceu meus conhecimentos sobre assuntos "aleatórios" como dizia Jô Soares.

O email citava a expressão "RA TIM BUM" como oriunda de rituais satânicos da Idade Média. Afirmava que eram pronunciadas assim e ao contrário fazendo o mestre dos magos surgir das cinzas e realizar os desejos de quem os proclamou. Em certo ponto do texto dizia que cantamos inocentemente um "parabéns" pra alguém que está aniversariando e ao final proferimos as sílabas "RATIMBUM" e que muitos não sabem que isso significa: " eu amaldiçôo você". Esse é o resumo do email que vem recheado com outras afirmações sobre o termo.

Buscando a verdade encontramos um documento da Universidade de Medicina de São Paulo (USP) que nos dá conta da verdadeira origem do termo assim como outras curiosidades que transcrevemos:

.... segue texto.....

"A efervescência do largo de São Francisco deixou marcas até onde menos se imagina. O sanduíche bauru ganhou esse nome porque era o preferido do estudante de direito Casemiro Pinto Neto no restaurante Ponto Chic, centro de São Paulo. Casemiro, conhecido como Bauru - a cidade paulista onde nasceu -, cedeu o apelido ao sanduíche.

O bordão "é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá-tim-bum", incorporado no Brasil ao Parabéns a você, é uma colagem de bordões dos pândegos estudantes das Arcadas da década de 1930.

"É pique, é pique" era uma saudação ao estudante Ubirajara Martins, conhecido como "pic-pic" porque vivia com uma tesourinha aparando a barba e o bigode pontiagudo.

"É hora, é hora" era um grito de guerra de botequim. Nos bares, os estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja - era o tempo necessário para a bebida refrigerar em barras de gelo. Quando dava o tempo, eles gritavam: "É meia hora, é hora, é hora, é hora".

"Rá-tim-bum" , por incrível que pareça, refere-se a um rajá indiano chamado Timbum, ou coisa parecida, que visitou a faculdade - e cativou os estudantes com a sonoridade de seu nome. O amontoado de bordões ecoava nas mesas do restaurante Ponto Chic, com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje: "Pic-pic, pic-pic; meia hora, é hora, é hora, é hora; rá, já, tim, bum".

Como isso foi parar no Parabéns a você? "Os estudantes costumavam ser convidados a animar e prestigiar festas de aniversário. E desfiavam seus hinos", conta o atual diretor da faculdade, Eduardo Marchi, de 44 anos, que relembrou a curiosidade em seu discurso de posse, dois anos atrás.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

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