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Os investimentos estrangeiros trazem ou drenam recursos?

Publicado em 22.12.2010

Por Paulo Bittencourth leitor do Portal Guaratiba

Os investimentos estrangeiros registrados no Brasil de 1947 até 2008 totalizaram U$ 222,6 bilhões de dólares. Os juros, lucros e outras remessas oficiais remetidas para o exterior, apenas entre 1995 e 2008, somaram US$ 292,2 bilhões, e são somente a ponta do iceberg das reais transferências para o exterior. O grosso delas se realiza através das contas de serviços, de preços superfaturados nas importações e subfaturada nas exportações.

A maior parte dos investimentos estrangeiros não é empregada em nova produção. É usada pelas transnacionais para assumir, por aquisições e fusões, o controle de atividades produtivas pré-existentes, quase sempre criadas com capitais de empresas brasileiras.

Agora que os estrangeiros sabem que o dólar vai virar pó, estão comprando a qualquer preço todos os meios de produção. Chineses, americanos e europeus empenham-se em transformar seus dólares que perderão o valor, em ativos que renderão dinheiro. Os que venderem ficarão com o mico preto e o Brasil não será dono de seus meios de produção.

Notas da redação:

1. As transações do Brasil com o exterior, conta que inclui o comércio e o fluxo de capitais financeiros, tiveram um déficit de US$ 4,7 bilhões em novembro, valor 43% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o rombo chega a 2,4% do PIB, segundo o Banco Central. Pelas estimativas da autoridade monetária, esse déficit deve ficar em US$ 64 bilhões em 2011 ou 2,87% do PIB.

2. Trecho do artigo de Rubens Ricupero: "Desindustrialização precoce: futuro ou presente do Brasil?"

... No Brasil, tem sido pobre o desempenho do investimento, a indústria vem perdendo importância relativa no emprego total e no valor adicionado, o crescimento da produtividade resultou mais da redução da mão de obra que da acumulação rápida e do progresso técnico, o upgrading industrial é ainda limitado e as exportações continuam dominadas por produtos primários e manufaturas de baixo valor agregado. Nessas economias, o avanço em certas indústrias como a aeronáutica e de automóveis não teve a profundidade e o vigor necessários para disseminar-se pelo restante do tecido industrial e para estabelecer um processo dinâmico e de alta tecnologia na indústria como um todo....

Conheça o texto completo de Rubens Ricupero

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