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Editorial do Portal e Coluna Fala Cidadão

Atualização quinzenal - Editorial publicado em 01.06.2010

Estranha moral esta: salvam as pererecas e prejudicam os pescadores

Arco Rodoviário do Rio de Janeiro deve ganhar dois viadutos para proteger pererecas

Texto: Sergio Mello - Editor do Portal Guaratiba.

Folheando os jornais dessa semana nos deparamos com a notícia de que o Estado deverá gastar milhões de reais para livrar uma área que está no meio do caminho do Arco Rodoviário em construção no Rio de Janeiro. Serão construídos dois viadutos que deverão preservar a região, e o governo prometeu ainda fazer cercas vivas para reduzir o ruído e a fumaça emitida pelos carros e caminhões. O trecho a ser evitado fica entre a Via Dutra e o Porto de Itaguaí e corta a Floresta Nacional Mário Xavier, uma área de preservação ambiental. A rodovia iria interferir no ecossistema da região, mas o que atrasou mesmo a obra, que se encontra parada desde setembro de 2009, foi a identificação de uma perereca que somente sobrevive no local, e correria risco de extinção com a perturbação no seu habitat. A "Physalaemus Soares" só existe ali e a descoberta dessa espécie rara de perereca foi o que paralisou a obra de quase um bilhão de reais por nove meses.

A estrada de 145 km ligará o Porto de Itaguaí (Sepetiba) à Itaboraí no interior do estado e corta cinco municípios. Foi orçada em quase um bilhão de reais e deveria ser concluída até o final do ano. A obra faz parte do complexo exportador de Itaguaí e pretende facilitar o acesso de cargas com interligação à malha rodoviária do estado. Pois bem, o que realmente nos causa perplexidade é esta preocupação com a tal perereca, que apesar de entendermos ser importante sua manutenção e preservação, não compreendemos porque seria mais importante do que a situação aflitiva pela qual passam os pescadores da Baía de Sepetiba, que também estão sendo seriamente atingidos por esse conjunto de obras do complexo portuário e industrial. Para o centro da discussão correram para acudir a tal perereca o Ministério do Meio Ambiente, o Secretário de Urbanismo, o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) e o Instituto Chico Mendes.

Habitat da Perereca Physalaemus Soares

Em nossa última edição comentamos a situação aflitiva na qual se encontram nossos irmãos seres-humanos-pescadores. Nada contra preservar o animalzinho de dois centímetros de comprimento nosso vizinho aqui no estado, mas acreditamos que deveria ser dada a mesma deferência aos habitantes da região, e os órgãos ambientais e autoridades deveriam pelo menos estudar e levar a sério as denúncias que estão sendo feitas pelos pescadores e organizações de defesa dos direitos humanos que tratam do assunto. Ainda não soubemos de nenhuma ação efetiva das autoridades nem estudos ou propostas que possam atenuar os dias sombrios que virão por aí. Foram propostas algumas alternativas para salvar as pererecas, falava-se de "bichoduto" e até o desvio da rodovia foi pensado, ficando na alternativa mais viável e menos dispendiosa de dois viadutos, afinal são apenas alguns milhões a mais, nada com que se preocupar.

O que nos parece é que tanto os direitos humanos como os direitos dos animais e ecossistemas devem ser preservados a todo custo, e as políticas para a preservação da natureza e manutenção da qualidade de vida dos seres humanos são os objetivos maiores de toda ação governamental. Como vivemos em um país capitalista, o objetivo das empresas e dos empresários é o lucro, mas o governo não pode ser condescendente nem sócio dessas empresas, precisa antes de tudo oferecer alternativas e propostas que não obstam o desenvolvimento, mas que protejam a população e o meio ambiente da exploração predatória. É bem verdade que ao atribuir deveres e obrigações a essas organizações diminuirá o lucro dos acionistas, mas certamente todos entenderão que a manutenção do meio ambiente justificará plenamente, no futuro, a manutenção da vida dos seus descendentes e de todos os habitantes da Terra.

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Fala cidadão(ã)

Atualização quinzenal - Coluna Fala-cidadão(ã) publicada em 01.06.2010

Degradação ambiental na Baía de Sepetiba

Texto enviado por nosso colaborador Ronaldo Inácio - Editor do Portal da Pedra

Além da degradação ambiental causada por indústrias e poluentes, grande parte dos habitantes e visitantes em Guaratiba, contribui grandemente para o aumento dessa má condição.

Há cerca de 40 anos frequento a Pedra de Guaratiba e durante esse tempo venho lamentando, a quantidade enorme de lixo e detritos lançados ao mar. A casa onde resido, dá fundos para o mar e píer e há dias em que dá para fazer um verdadeiro supermercado. Há detritos das mais diversas origens como, garrafas pet, sandálias, portas, caixotes plásticos, entulho de árvores e folhas, pneus, animais mortos, copos descartáveis, sacos plásticos (alguns cheios de lixo) e uma série inimaginável de objetos.

Assim, espera-se que algum dia, alguma dessas secretarias municipais, venha a introduzir algum programa para EDUCAR a população (digo EDUCAR ao invés de REEDUCAR) já que nota-se que a maioria das pessoas pratica esse ato até mesmo de forma inocente, por nunca ter havido uma consciência que os rios e os mares não são latas de lixo. Essa coisa deveria ser aprendida desde o Jardim de Infância e propagada até mesmo dentro do programa de ensino das Universidades.

Alguns pescadores de primeira viagem ou a turma que gosta de passar final de semana da Restinga de Marambaia (tem gente que vai mesmo sendo proibido) são grandes contribuintes dessa causa errada, pois na saída dos barcos já ficam na beira da praia, maços de cigarro amassados, latinhas de cerveja e outros adereços mais.

A COMLURB na Pedra de Guaratiba tem feito o que pode e na subida do principal ponto turístico do bairro (Igreja de Nossa Senhora do Desterro) o ponto mais visitado, mesmo a coleta de lixo sendo feita regularmente as terças, quintas e sábados, há um grupo de moradores que insiste em colocar sacos plásticos e entulhos de lixo ali em meio ao gramado de onde as pessoas vêem evitando até mesmo fazer fotografias daquele angulo. Uma vergonha.