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Editorial do Portal e Coluna Fala Cidadão

Atualização quinzenal - Editorial publicado em 15.09.2010

Pior do que está não fica

O desalento e a desesperança do eleitor brasileiro levarão certamente aos absurdos que vamos presenciar nestas eleições, como aconteceu em 1988 quando 400 mil eleitores votaram no macaco Tião

Texto: Sergio Mello - Editor do Portal Guaratiba.

O desalento e a desesperança do eleitor brasileiro levarão certamente aos absurdos que vamos presenciar nestas eleições. Não cabe aqui questionar a capacidade deste ou daquele candidato ou ter uma idéia preconcebida sobre a provável atuação do candidato quando parlamentar. Mais do que isso, trata-se de analisar o recado e a desfaçatez empregada ao longo da propaganda eleitoral que somos obrigados a assistir nos meios de comunicação.

Eleger um palhaço está no mesmo patamar que eleger qualquer outro profissional, pois a profissão nada tira do cidadão a capacidade intelectiva ou a intenção de trabalhar por um país melhor. Honrar a profissão assim como assumir uma posição responsável e cidadã é o mínimo que se pode exigir de um candidato.

O palhaço Tiririca se candidatou a Deputado Federal por São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, e segundo o Ibope, o intérprete da música "Florentina" aparece em primeiro lugar na preferência do eleitorado entre todos os candidatos que brigam por uma vaga na Câmara dos Deputados em São Paulo. Tiririca não se faz de rogado e em sua propaganda assume que tem como plataforma ajudar os necessitados, e entre esses "necessitados" confessa, sua própria família. Para o eleitor, a frase apresentando o nepotismo pretendido nada tem de anormal, o eleitor encarou como uma posição honesta e natural, tendo em vista que os políticos de um modo geral agem dessa forma às escondidas, pelo menos ele declara em alto e bom som que agirá assim, aceita quem quiser e parece que o eleitor está aceitando.

Outra posição defendida pelo palhaço Tiririca é a frase - "Vote no Tiririca, pior do que está não fica". Vamos e venhamos, não está muito errado. È uma frase que além de fornecer uma rima interessante e mnemônica, seduz e corrompe o eleitor já de "saco cheio" com parlamentares sem escrúpulos que infestam o congresso nacional. Realmente, temos de dar a mão à palmatória, com tantos escândalos na política brasileira, eleger um palhaço até que pode dar certo alívio e quem sabe, talvez possamos assistir algum espetáculo diferente na TV Câmara, pelo menos será um pouco mais divertido e apesar do cachê ser pago regiamente pelo tesouro nacional, em troca vai ter alguma diversão, é melhor do que nada, pois afinal o congresso e nada hoje é a mesma coisa.

Em 1988, o macaco Tião, antiga personalidade de nosso Jardim Zoológico, foi lançado candidato a Prefeito do Rio de Janeiro pela turma do Casseta e Planeta, e na ocasião teve exatamente 400 mil votos, e foi o terceiro candidato mais votado nas eleições municipais. Isso poderia ser traduzido que 400 mil cariocas insatisfeitos preferiam um animal fazendo macaquices no palácio do que Marcelo Alencar no comando da Prefeitura falida do Rio de Janeiro. Na época nada funcionava por aqui, se hoje não funciona, naquela época era muito pior, Marcelo Alencar foi quem iniciou a recuperação do município falido que recebeu. O carioca já não agüentava mais a cidade abandonada e mal cuidada. Enfim, nas eleições podemos medir o grau de insatisfação da população, ou a falta de interesse com o destino do país. Quando o eleitor por rebeldia ou gozação decide votar desta forma, joga fora o seu direito e a oportunidade de eleger os melhores representantes, mais competentes, mais honestos e mais comprometidos com a coisa pública.

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Fala cidadão(ã)

Atualização quinzenal - Coluna Fala-cidadão(ã) publicada em 15.09.2010

Juízes e Juízos

Texto enviado por email - Wilmar Marçal - Professor universitário e ex-reitor da UEL./Pr

Decepção e frustração. Esses são os sentimentos atuais e remanescentes de quase todos brasileiros sobre a concessão de liminares, por parte do poder judiciário, aos candidatos "fichas-sujas". A forma interpretativa de qualquer juiz que concede esse tipo de benefício e imunidade aos maus políticos, sempre será fruto de análise subjetiva, com a frieza das letras que compõem as Leis. Alguns pareceres jurídicos são tão difíceis e enfadonhos para ler que acabam desmotivando o entender. Doutores da escrita nem sempre se fazem claros e pelas sombras dos argumentos "legais" atenuam o que deveria ser eliminado.

A grande demanda de processos que tramitam nos fóruns brasileiros, reflete bem que a "matilha de lobos politiqueiros" é a grande beneficiada pelos "habeas corpus constantis". O sistema é de embromação (ou embromation) e com isso as quadrilhas de alguns parlamentares vão se perpetuando pelas reeleições. Em vários estados da federação, guardado o devido respeito e proporção, a Assembléia Legislativa está mais para um referencial de capitania hereditária do que propriamente para uma escolha bem feita. Supõe-se que a continuidade nas urnas vem sendo praticada pelos "altíssimos investimentos" na conta de alguns prefeitos e vereadores. Basta percorrer as localidades e perguntar pelas "lideranças". Um arranjo bem orquestrado e com muita disposição de gastos. Uma vergonha para a democracia. Por isso é hora de reagir e agir. A reorganização comunitária, popularizando a boa e verdadeira informação é preciosa conduta contra a indústria do nepotismo eleitoral e contra os usurpadores da boa fé dos povos. A mídia digital, decente e verdadeira, é e sempre será imprescindível, inclusive nas eleições de 2010. Se por um lado não conseguimos limitar as liminares, por outro temos nas mãos uma força imensurável pela mudança, se possível em 100% dos deputados. Com ação e determinação vamos varrendo a sujeira. Cada um começando pela frente de sua casa, sem esperar benefícios ou moeda de troca por isso. A população é do tamanho do sonho de cada um de seus componentes. A população não precisa e não depende de nenhum juiz, mesmo que alguns usem canetas de ouro. A população de bem tem, sim, é muito juízo. Basta colocá-lo em prática.