Opinião

O dinheiro mal gasto pelas autoridades brasileiras

Publicado em 17.01.2011

Texto: Sergio Mello - Editor do Portal Guaratiba.

A carga tributária do Brasil é maior do que a de países como o Japão, os Estados Unidos, a Suíça e o Canadá. A arrecadação de tributos em 2010 foi de R$ 1,27 trilhão e deve crescer mais ainda este ano, atingindo a casa de R$ 1,4 trilhão, uma alta de 10%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Isso quer dizer que o brasileiro vai pagar mais impostos em 2011.

O presidente do IBPT explica que não há como fugir do aumento dos tributos e que os cidadãos precisam é cobrar do governo maior eficiência administrativa e redução de seus gastos, pois 70% da arrecadação vai para folha de pagamento e para custos da Previdência Social. "O Brasil tem 14ª maior carga tributária do mundo, 34,87% do PIB em 2009 e um retorno para o cidadão muito abaixo de países que arrecadam menos", diz ele.

Os brasileiros precisam trabalhar quatro meses ou, mais exatamente, 123 dias para manter os gastos dos governos federal, estaduais e municipais. E aonde vai essa dinheirama toda?

Nossos administradores estão mal acostumados e só falam em milhões. Político que se preza defende e aprova projetos com grandes inversões de capital, grandes obras faraônicas, grandes avenidas, estradas, centros para todos os fins, reformas urbanas, teleféricos, grandes equipamentos urbanos e projetos que devam consumir rios de dinheiro.

Estrada que liga Nova Friburgo a Petrópolis - Marlene Bergamo/Folhapress

Afinal, desentupir um bueiro, capinar uma rua, dragar um rio, ordenar um bairro, sanear e drenar baixadas, apostar em pequenas obras não é coisa de administrador brasileiro. Deixa que a criançada nade no cocô, role na areia cheia de vermes, que os mosquitos transmitam toda a espécie de doenças, que as pestes e vermes se infiltrem nos lares brasileiros, mas afinal segundo sua visão ele está ali, naquela posição para dar ao povo uma Cidade da Música, um Maracanã novinho em folha, um Engenhão, grandes centros olímpicos, grandes reestruturações urbanas, obras que ao olharem se sintam orgulhosos pela metragem quadrada de concreto que sobe acima da linha do horizonte. Não importa que aquilo não sirva para nada, não importa que o uso seja eventual.

Assim, segundo reportagem da Folha de São Paulo, um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense, como a que ocorreu na última segunda-feira e que já deixou pelo menos 547 mortos.

A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra.

Agora é grana e mais grana que deve ser investida em caráter "emergencial" para reconstrução e ajuda a todas as cidades que foram atingidas.

O governo do Rio gastou dez vezes mais em socorro a desastres do que em prevenção em 2010. Foram R$ 8 milhões para contenção de encostas e repasses às prefeituras contra R$ 80 milhões para reconstrução.

O mesmo acontece com o governo federal, que gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção. Em 2010, a União liberou R$ 780 milhões para ajudar locais atingidos por enchentes e recuperar rodovias.

As cidades alagoanas devastadas pelas chuvas em 2010 devem demorar cerca de dez anos para serem reconstruídas e voltarem a ser como eram antes da enchente, o rio Mundaú, que provocou o desastre em Alagoas, já tinha sofrido uma grande enchente no fim da década de 1980, o governo estadual pediu verba à União para a construção de barragens, mas a verba não saiu e as cidades foram crescendo, ocupando as margens do rio, e deu no que deu.

Valão da Avenida Alto Maranhão completamente assoreado e entupido

O governo devia parar de gastar mal nosso dinheiro. Dar ouvidos à população que clama por pequenos serviços. Desentupir uma vala, providenciar uma dragagem eficiente do canal assoreado. Deve apenas sanear nosso bairro, dar escola decente para nossos filhos, atender convenientemente nossos velhos e doentes, urbanizar as ruas que precisam ser urbanizadas, ordenar e disciplinar a ocupação do solo, disciplinar as atividades econômicas sem sufocá-las com tributos e burocracia, que só servem para construir as teias sutis de corrupção que infestam esse país.

Durante todo o ano de 2010, vimos alertando para os canais e valas assoreadas e entupimento de manilhas no Jardim Garrido, Jardim Maravilha, Rua São José dos Campos, Aterrados do Rio, Caminho do Abreu, Descida da Grota Funda, Estrada Roberto Burle Marx, Rua Gaspar de Lemos, Estrada do Morgado, etc... Vamos ver se a Prefeitura faz seu trabalho de casa antes de cair a chuva, pois depois dela só nos restam as medidas emergenciais de socorro como aquelas que estão acontecendo na periferia de Petrópolis e Teresópolis.

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