Notícia

O preconceito por debaixo dos panos

Publicado em 19.11.2013




Margot Carvalho - Escritora e Artista Plástica




Libertos os escravos, ficaram acorrentados pelas circunstâncias desfavoráveis. Continuavam a servir, sem autonomia sobre seus atos. Viviam em situação precária e os que não aceitavam a subordinação, moravam pelas ruas, maltrapilhos, famintos, cometendo pequenos furtos.

A cultura afro-descendente e sua história com as várias etnias formam um passado multicultural. Tivemos a formação de um povo bastante peculiar. A importância do negro foi muito grande - construtor da grandeza econômica do Brasil.

Mesmo depois da abolição da escravatura, as mãos e os pés dos senhores de engenho, o negro, continuou a ser escravo. Sem emprego, sem dinheiro, moradia, sem meios para sobreviver, o negro foi subjugado pelos senhores. Apto ao trabalho braçal, a única oportunidade que lhe restava era tornar-se escravo por sua própria vontade, assegurando sua sobrevivência.

Contudo, a raiz negra encontra-se em tudo! Na música, na culinária, na capoeira, na beleza negra, nas religiões... As pessoas afirmam que não são preconceituosas, mas na verdade são. O preconceito da sociedade é cruel. "O preconceito por debaixo dos panos".

Para ser aceito na sociedade hipócrita, muitas vezes ser: negro, deficiente físico, gordo, muito feio, pobre... é empecilho. Negro rico, hoje é bem aceito, até porque são costumes decorrentes duma sociedade decadente em seus valores, consumista na valorização pelo "ter" ao invés do "ser", produto da pressão social com uma sociedade fundada na futilidade e no vazio há a busca incontrolável do consumo.

É preciso mais igualdade social, investimento pesado, verdadeiro em educação para que todos, sem exceção, sejam incluídos numa sociedade mais justa, não só os negros, os deficientes, a classe social de rendimento baixo, vistos com olhos tortos, não haverá justiça social.

Não adianta mascarar a realidade, como vem sendo feito. Sabemos que, o que se tem feito é engodo para enganar o povo carente de tudo. Um povo com trabalho, educação e saúde é um povo livre para tomar suas decisões.

Tenhamos respeito ao ser humano, sejamos justos, respeitando a contribuição que cada um pode dar a nação. Certamente se o fizermos, estaremos retribuindo um pouco do que a nós foi concedido. O racismo, o preconceito, é um entrave para uma sociedade mais justa e democrática. É um entrave para que todos sejam cidadãos.

Nota da Redação - O Dia Nacional da Consciência Negra 1 é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A semana dentro da qual está esse dia recebe o nome de Semana da Consciência Negra.

A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar da resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1549). (Fonte Wikipedia)

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