Notícia

A senciência e a defesa dos animais

Publicado em 25.12.2013

Da Redação
Texto de Gilberto Pinheiro, jornalista, músico, defensor dos animais

Animais A senciência dos animais é fato comprovado cientificamente desde dezembro de 2012. Um grupo de neurocientistas canadenses, chefiados pelo dr. Philip Low, ao fazer estudos comparados, cotejando o cérebro humano ao de um animal, concluiu e subscreveu um manifesto ao mundo científico que os animais possuem consciência como todos nós. Inclusive, emoções, sentimentos o que, na verdade, já se sabia empiricamente. Agora, há respaldo científco e citou também algo marcante - agora, não poderemos mais dizer que não sabíamos.

Entendia-se, primeiramente, que o córtex cerebral na espécie humana seria o responsável pela consciência. Mas, depois de reiterados estudos, concluiu-se que as zonas cerebrais responsáveis pela inteligência, memória, bondade são as mesmas entre humanos e animais.

Sabe-se hoje que os animais sentem tristeza, alegria, por outro animal ou ser humano, no caso, seu tutor.

O luto animal, por exemplo, pode alterar o comportamento deles, provocando apatia e letargia.

À luz dos fatos, cientes destas novidades, haverá imperiosa necessidade de vermos os animais com olhos diferenciados da bondade e respeito. Infelizmente, durante milênios, eles foram vistos como seres de quinta categoria, a serviço da Humanidade, através da alimentação e esforço, sempre em benefício de todos nós.

No século XVII, René Descartes, proeminente filósofo que cunhou a emblemática frase "Penso, Logo Existo", trazia consigo uma concepção meramente radical e antropológica, ou seja, que os animais eram seres mecânicos, desprovidos de dor, portanto, amplamente favorável às pesquisas laboratoriais, como a prática da vivissecção.

Na verdade, concepção paradoxal, haja vista que um homem inteligentíssimo, responsável pelo pensamento cartesiano, não poderia pensar desta forma tão cruel e imprudente. Mais tarde, ao final do século XIX, o fisiologista francês Claude Bernard, definiu-se amplamente favorável a esta prática, possuindo no sótão de sua casa um biotério para estes fins, vivissecionando os animais. Sua esposa e filha, não suportando mais os gritos dos animais, abandonaram-no, mudando-se de residência e criando a primeira instituição francesa na defesa dos animais.

Hoje, finalmente, sabemos que os animais começam a ser vistos com mais respeito, principalmente, por parte de nossa sociedade e, inclusive, a cada dia que passa, novos adeptos e simpatizantes da causa em sua defesa surgem, aumentando o contingente de pessoas defensoras dos animais.

Os governantes, a partir de agora, terão que atender ao clamor popular a favor dos animais, defendendo leis mais rígidas, em substituição à atual, tão incipiente e não punitiva para crimes de maus-tratos.

No momento a lei que ampara e protege os animais, no caso lei federal 9605/98, artigo 32, ainda é tímida, superficial, incipiente, não punindo os que mutilam, abandonam, maltratam os mesmos.

Todavia, com a reverberação da causa animal no Brasil, comissões na defesa dos animais surgem a todo instante e, aqui no Rio de Janeiro, temos a CPDA/OAB, Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil, assim como comissões da ALERJ e Câmara Municipal de nossa cidade. No Brasil são aproximadamente 3 milhões de animais abandonados nas ruas da amargura. Contudo, estamos nos fortalecendo para debelar o incêndio da omissão na defesa desta causa.

Estamos chegando longe e assim será.

(Wikipédia) - Senciência é a "capacidade de sofrer ou sentir prazer ou felicidade".1 A palavra senciência é muitas vezes confundida com sapiência, que pode significar conhecimento, consciência ou percepção. As duas palavras podem ser diferenciadas olhando-se suas raízes latinas: sentire é "sentir" e sapere é "saber". Senciência, portanto, é a capacidade de sentir.

Nota da redação - Gilberto Pinheiro é jornalista,articulista de textos voltados à causa animal e textos humanistas, defensor dos animais e ex-apresentador de programa de rádio web dentro da Universidade Cândido Mendes, campus Méier, entrevistando ativistas, professores universitários, cientistas, autoridades..

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