PortalGuaratiba
O portal da comunidade de Guaratiba.

Blogs do Portal
Blog do Chiquinho
A Perigosa Casuarina
Postagem em 03/05/2010
Sempre que eu chegava a Barra de Guaratiba e descia o Morro da Espia, ficava surpreso ao ver aquela casuarina pendendo para a Estrada, bem inclinada quase atingindo a rede de alta tensão. Se caísse causaria uma tragédia porque atingiria também o Posto de Saúde.
Perguntei ao dono da casa que também seria atingida se haviam tomado alguma providência, me informando ele que não havia mais a quem pedir inclusive que o dono do terreno havia permitido a retirada da árvore.
Ao chegar a minha casa, recebi correspondência referente à Taxa de Incêndio me parabenizando por estar em dia com a mesma, ao mesmo tempo informando que o Corpo de Bombeiros está bem equipado com carros, lanchas e escadas magirus.
De posse de uma câmera, fotografei a árvore em três posições e fiz uma carta ao Comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, mostrando o perigo e solicitando providências.
No dia 14 do mês de abril deste ano, chegando a Barra de Guaratiba, vejo os trabalhadores com a escada magirus retirando a árvore, para minha satisfação.
Nossos problemas têm solução, mas é preciso que aqueles que têm personalidade jurídica tomem a iniciativa, não eu que sou pessoa física.
Obrigado Comandante!
Um Homem de Caráter Inigualável
Postagem em 12/04/2010
Estávamos em meados de 1944 quando minha irmã ficou viúva com três filhos menores e mais um na barriga. Caminhava contra o vento, sem a certidão de casamento. Por indicação de um amigo da família fomos procurar um moço que fazia serviço de despachante. Era Guarda Municipal e nas horas vagas prestava tais serviços.
Eu era muito jovem, sem experiência e, ao entregar os dados necessários, ele os colocou no bolso e mandou que eu voltasse na semana seguinte. Fiquei encantado com o jeito calmo e sereno como ele me tratou.
Na outra semana fui ao seu encontro e ele me entregou a certidão dizendo-me que havia encontrado num Cartório em Cascadura.
Não me lembro se ele cobrou e, ao me despedir ele falou: Rivadávia ao seu dispor.
Na nossa casa aquele nome nunca foi esquecido, mesmo sem termos qualquer contato com ele.
Em 1986 editei o livro BARRA DE GUARATIBA, SUA VIDA, SEU POVO, SEU PASSADO e me filiei a Casa de Cultura em Pedra de Guaratiba onde lancei o livro e deixei à venda.
Numa das visitas ao local, recebi um recado para ligar para um senhor de nome RIVADÀVIA que desejava me conhecer. Liguei imediatamente e marcamos um encontro em frente a Colônia de Pescadores, às 10 horas de um determinado dia da semana.
No dia marcado estava eu lá sem saber, dentre outros, quem era a pessoa que desejava me conhecer; porém, um me prendia a atenção, pelo jeito e o semblante de alguém que um dia gravou algo de importante no meu subconsciente. Indaguei do Presidente da Colônia da qual sou sócio, quem era o Rivadávia e ele apontando me disse: está ali a sua frente. Era a pessoa que me prendia a atenção.
Dirigiu-me a ele e me identifiquei. Nos cumprimentamos e ele sorrindo falou: já que somos pontuais vamos à Casa de Cultura para conversarmos. Assim fizemos. Ele me disse que tinha lido o meu livro duas vezes. Eu falei que realmente prestava serviços de despachante. Não tive dúvidas que estava diante do Rivadávia que há quatro décadas nos tinha prestado relevantes serviços.
Tomei conhecimento de suas pesquisas e só aí me dei conta que estava diante do maior pesquisador de Guaratiba.
Julguei que fosse receber severas críticas sobre o que escrevi com relação a formação de Guaratiba, mas, pelo contrário, só recebi elogios. E tive naquele homem o maior divulgador do meu trabalho. Vendeu entre a família e os amigos mais de 40 livros meus.
A partir daí não nos separamos. Qualquer evento me convidava e recomendava: traga seus livros.
Um dia me chamou para irmos a Barra de Guaratiba, era mês de junho; e, ao chegarmos, ele me mostrava o ponto em que os franceses desembarcaram em 1710 para atacar o Rio de Janeiro. De repente chega um enorme cardume de tainhas e as canoas com rede de arrasto capturam milhares delas, deixando o amigo surpreso com tanta fartura de peixes. Ligou para todos os filhos pedindo que fossem a Barra de Guaratiba ver a festa de tainha.
Pediu-me para comprar uma tainha das maiores além daquela que ganhou, assim eu fiz e voltamos para casa.
Passados alguns dias me comuniquei com ele e verifiquei que não tinha recebido o troco do dinheiro que me deu para comprar a tainha. Comprei do troco uma posta de cação sabendo que ele gostava e não deu outra: saboreamos juntos um delicioso ensopado. Se não tivesse sofrido um inesperado acidente estaria convivendo entre nós.