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Blog da Margot
Em nome da beleza
Postagem em 02/07/2010
Alguns cuidados básicos, adeptos das estrelas de televisão e cinema eram copiados já que o din din, era curto.
Iria ela desprezar as dicas das famosas? Jamais!
Levantava-se cedo e o ritual de beleza começava.
Abria a boca e fechava por várias vezes, num ritual esquisito que o filho mais novo, ficava observando sem entender. Diante do espelho, caretas imagináveis!
O menino, sem graça, não lhe ousava perguntar o porquê.
Rodelas de pepino no rosto, quietinha deitada, sem se mexer.
Vá lá, isso ele já sabia! Pepino era bom para tudo, inclusive para a pele!
Noutros dias fazia uma máscara de mamão, mel e aveia e num ritual introspectivo como se não houvesse ninguém por perto, concentrava-se de verdade!
Sua mãe era realmente bela! A pele queimada, o rosto bem emoldurado, o cabelo a lhe cair pelos ombros, o manequim 38, ideal, invejável, para qualquer mulher.
Suas refeições, rigorosamente eram dentro do padrão das estrelas. Adorava arroz e feijão, mas passava a semana inteira, fazendo dieta e somente nos finais de semana se dava o prazer de comê-los e mesmo assim, só uma colherzinha.
E lá ia ela, trabalhar, impecavelmente arrumada e maquiada.
Em seu caderninho, dicas de beleza: Xuxa: pronunciar o A E I O U por várias vezes, exercitava todos os músculos do rosto. Uma estrela internacional: mamão, mel e aveia, rosto aveludado, água de coco, para hidratar a pele e dicas enumeráveis que preenchiam todas as páginas. O caderno? Escondidinho no fundo da gaveta!
Todas as estrelas, não usavam nenhum creme especial e nunca passaram por um bisturi ou outro procedimento, acredita? Se quiser até pode acreditar!
Lorena não abria mão das dicas. Comprava revista das famosas e ia alternando ingredientes a sua dieta e beleza.
Passava abacate nos cabelos e eles ficavam sedosos de verdade! Enchia um prato de rúcula com agrião, alface, tomate e um pedaço de carne ou peixe.
Pegava sua bicicleta ergométrica e ficava malhando até cansar!
Não ia envelhecer caindo aos pedaços, isso ela garantia!
Chegara aos 45 anos bem inteirinha! Olhava-se no espelho e via algumas rugas aparecendo. Dinheiro para plástica? Não tinha!
O que sobrava, às vezes mal dava para fazer uma hidratação na pele. O jeito era seguir as dicas de beleza das estrelas. Não havia outra alternativa!
Xuxa e Cláudia Raia eram o máximo para ela e numa dessas novelas globais, a Cláudia, personagem, dava uma dica imbatível para manter a pele do rosto durinha e viçosa. Lógico que ia experimentar!
Chegou em casa com o embrulho, colocou-o no congelador. Fez uma mistura com argila, passou pelo corpo, ficou por 40 min deitada, sem se mexer, retirou tudo com óleo mineral.
Com hidratante e açúcar, fez uma mistura, passou pelo corpo para a retirada das células mortas e novamente hidratou o corpo com o óleo.
Iria experimentar a receita da Cláudia, personagem.
Com o mesmo ritual não dispensou as dicas de belezas das famosas. Seu rosto estava uma seda! Agora o passo final!
Retirou o embrulho do congelador, quebrou as pedras bem miúdas para que desse o melhor resultado.
Estava sem coragem de fazer o teste de beleza, mas o faria!
Olhou para o gelo picado, encheu os pulmões de ar a num relance de coragem, enfiou o rosto com vontade na bacia.
O rosto ardia e ela corajosamente aguentava o mais que podia.
Os segundos eram intermináveis e com bravura, enfrentava o teste, desafiando sua falta de coragem!
Não dava mais! Vertiginosamente, sem respiração, não viu outra alternativa de sair em retirada.
Com espanto, viu que pedrinhas de gelo haviam se aglomerado em todo o seu rosto e por dentro das narinas se instalavam sem permissão e se negavam a sair.
Já estava ficando arroxeada, quando seu filho desesperado levava a mãe para o banheiro e a colocava embaixo do chuveiro quase desfalecida. Faltava-lhe a respiração!
Suas narinas entupidas pelas pedrinhas de gelo não a deixavam respirar!
A ambulância foi chamada e no desespero de causa, o filho batia-lhe no rosto com vontade, tentando reanimá-la.
Foi só um susto! Olhava-se no espelho verificando realmente que gelo faz bem para a pele!
Perguntava-se: teria coragem de fazer " o tratamento novamente"?
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Postagem em 01/06/2010
Sem palavras, tento organizar um texto para homenagear o dia dos namorados.
As mudanças vêm galopando nos últimos anos. " O FICAR" tomou uma dimensão desproporcional não só para a garotada, porque a força da palavra; tão banal e chula, alcançou mudanças em muitas cabeças.
O sexo chegou ao ponto de ser determinado com pulseirinhas de várias cores, tendo, cada uma, um significado.
O cortejar, a expectativa da conquista, era tão romântico! Tocar nem que fosse de leve, a pessoa desejada, era por demais prazeroso. E quando o beijo acontecia se caía nas nuvens, num desejar, conquistando o coração da pessoa amada, mesmo porque havia entrosamento de ideias e sentimento.
Cartas de amor que hoje, seriam ridículas, se acumulavam palavras ternas, desejos incontidos, mas de forma tão delicada, sutil e romântica!
Os olhares de admiração e timidamente a aproximação... Uma explosão de emoções e expectativa! É através da admiração e do respeito que o amor amadurece, acontece e permanece.
É bastante comum, hoje em dia, um senhor, pedir a uma mulher para "FICAR" que tem diversos sentidos, reforçando algumas liberdades com a pessoa que se acabou de conhecer. E no dia seguinte... E ainda usam a frase: "fazer amor". Amor só se faz com quem se ama. Daria outro nome para o "FICAR". Que tal "libertinagem"?
O romantismo extinguiu-se ao longo dos anos. É careta ser romântico! O coração encontra-se doente, mas com tratamento especial, vai funcionar como antes.
Ser gentil, qual nada, elas querem se igualar aos homens! Pagar a conta, abrir a porta do carro, nem pensar!
A inconsequência da modernidade vem causando conflitos. Jovens deixam de estudar e se amparam na casa dos pais, porque tornam-se pais muito cedo. Sem vínculos afetivos se separam indo formar outra família e assim consequentemente sem nenhuma estrutura que se possa dizer planejamento familiar.
Que ajam da forma que lhes é conveniente, mas há muitos recursos, para que desfrutem do sexo, sem desviar do caminho que lhes causam tantos problemas.
Um dia acordarão para a realidade?
Sabemos também que há uma minoria que não se deixa levar pelo moderninho. O amor está em extinção, mas existe!
E não vendo somente o lado negativo, "o fazer amor" com a pessoa que se ama, é a entrega total de corpo e alma num só. Ainda acredito no relacionamento afetivo, na fidelidade de sentimentos.
Há uma necessidade em mim de ver uma mudança no comportamento das pessoas. É terrível ver o ser humano como um simples objeto descartável, sem o respeito por si próprio.
Aos cafonas que não se influenciam pelo moderno, desejo um dia de muito amor, carinho, paz, cumplicidade, felicidade, tudo o que lhes for permitido.
Mandem flores, cantem na janela da amada, declamem poemas, comprem presentes, mostrem-se apaixonados não tenham vergonha, o amor é sem vergonha, porque não há sentimento maior que o amor cúmplice, indivisível e verdadeiro.
Que me perdoem em não fantasiar a realidade!
Mãe
Postagem em 03/05/2010
Em mim uma sementinha crescia, dia a dia
E a cada roupinha com ponto paris, o teu enxoval, eu fazia...
E cada peça, feita a mão, ponto a ponto, o meu amor depositava,
O meu coração de alegria transbordava
Em todos os poros do meu corpo, como você, se transformavam...
O remexer do meu ventre, o milagre da vida acontecia, crescia...
Você nasceu e revirou minha vida... Eu já não me pertencia!
A cada noite mal dormida a Deus eu agradecia. Manhosa, pirracenta... o grande presente, presente divino, na grandeza de Deus eu agradecia,
E a cada lágrima derramada por ti, eram estrelas cadentes para prosseguir o meu dia
Teus cabelos, raios de sol iluminados, por teus ombros desciam como cascata de luz irradiando o meu existir. O sorriso cristalino, terno, a todos cativava e envolvia. Aos meus olhos você, menina moça, aos quinze anos chegava e os teus sonhos tentei realizar, você merecia...
A graça, a mim confiada em meus braços cheios de ternura
Pela madrugada, caindo de sono eu a velava, não importava sua manha
Era tua escrava, eu já não me pertencia!
E Deus me confiou mais duas vidas, uma do coração, outra da barriga
A elas dei o melhor de mim, com o mesmo amor, que a ti dediquei...
Quem é mãe, sabe que falo com o coração. Filho não é só o da barriga, a gente ama em igualdade e entra em nossa vida, com certeza enviado pelo "PAI" , não importa a forma, é filho que vem a nós por missão.
Só sei que o meu amor foi verdadeiro, inteiro, indivisível, sem restrição
Chorei com o desamor, mas compreendi, que não se deve esperar recompensa
E sim tem que se ter consciência de fraternidade, compreensão...
Mas num dia de tempestade um anjo se foi. Não sei o porquê de não enlouquecer...
Como suportar tanta dor? Cárcere, sem direito a sorriso, felicidade, tranqüilidade. Como viver com a alma rasgada, exposta ao sofrimento constante? Não iria suportar!
A alma sem direção vagava, vagava... E a cada lágrima caída, a saudade aumentava... Parei no tempo e no espaço. Nada mais importava. Um vazio intenso me sondava, minha alma incompleta, não sossegava.
Pedia de joelhos todos os dias para acabar com meu sofrimento! Só havia uma saída, mas "ELE" não me atendeu. Dizia-me que eu tinha ainda missão a cumprir!
Fechei meu sorriso, o meu coração, a minha imensa dor
Caminhei lado a lado com a tristeza, a esperança e a renovação... vagava como uma sombra, tentando encontrar uma saída digna. Quando caía sentia Seus braços a me levantar e carregar-me no colo, por várias vezes, ou seja sempre "ELE", esteve comigo.
Colhi a tempestade avassaladora, sombria...
Senti o sol renascer, a alegria, o prazer...O sonho despontar... O sorriso florescer
Hoje sei, a maior missão confiada à humanidade:
SER MÃE! O amor, sem restrição só doação
Sofrimento, alegria, às vezes frustração. Não importa!
Ser mãe é a nossa maior missão!
O Trem
Postagem em 12/04/2010
Diploma na mão, estágio em multinacional, muitos elogios e rumo ao primeiro emprego, isto é, inscrição.
Vinte mil candidatos, quinhentas vagas.
Ia pensando: estou bem preparado, experiente, pronto. Com certeza, uma vaga é minha!
Falando corretamente o inglês e o espanhol, certamente, páreo duro para qualquer outro candidato.
Via-se dentro da empresa apresentando projetos que seriam aceitos pelos gringos, tamanha a sua capacidade em incentivá-los.
Concorrente, somente aquele em igual condição, os outros apenas candidatos inscritos, palavras de seus professores, com as quais concordava plenamente.
Esperava o trem, condução bem mais rápida para o longo percurso. A mãe lhe explicara direitinho...
Acordara cedo, tomara um café bem reforçado, perfume francês, para impressionar...
Comia somente a comidinha preparada pela mãe ou de vez em quando, almoçava em restaurantes classe “A” mas mesmo assim, nada era comparado.
Primeiro emprego, ia pensando em como seria...
Hora de almoço sirene tocando, encaminhando-se ao restaurante da empresa, comida feita de qualquer maneira, mesmo para os executivos, péssima...
Entusiasmado e distraído com seus pensamentos, nem sentiu as horas...
O trem esperado, não chegava. De quinze em quinze minutos, passava um, mas nenhum com o destino pretendido.
Puxa vida! Já são catorze horas e o trem não chega!
Talvez, por ser segunda-feira, tenham faltado funcionários e...
Sobe as escadas, precisa ligar para a mãe, procura um orelhão. Meio desligado, esquecera de seu celular em casa.
Orelhão quebrado! Só faltava essa!
Caminha um quarteirão inteiro, dobra a esquina e avista bem escondido entre árvores, um.
Orelhão todo despencado. O que fazer?
Último dia de inscrição, primeira oportunidade de emprego...
Entra numa loja, pede ao gerente para telefonar, ele lhe diz: não.
Desesperado sai a procura. Último dia de inscrição!
Olha para todos os lados e de repente um orelhão.
Fila quilométrica, todos reclamando e o tempo passando...
Finalmente liga para casa, ninguém atende. Será que Ana não fora trabalhar?
Tenta lembrar o número do celular da mãe, não consegue. Se não deixasse o celular em casa, nada disso estaria acontecendo.
E o pai, por onde andaria? Que falta de sorte!
Oportunidade de bom emprego estava difícil e ele, perdendo talvez, a melhor de sua vida.
Aprendera a lição: jamais deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Se assim não agisse, agora estaria em condições de disputar a vaga tão cobiçada!
Continuou pendurado ao orelhão, tinha quase certeza. O número do celular da mãe era: 989943... ou talvez 989945... ia tentando...
Todos gritavam ao mesmo tempo: fora! Chega! A confusão rolava sem parar!
A voz do outro lado parecia a da mãe, não dava para definir tamanha a gritaria.
Relatou à mãe que ficara horas esperando e que somente passara o trem com destino a D PEDRO II e nenhum com destino a CENTRAL DO BRASIL.
A mãe do outro lado da linha, enfurecida gritava alto: meu filho, não seja burro, D. PEDRO II e CENTRAL DO BRASIL , são a mesma coisa!
Não dava mais tempo..