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Severino Honorato
Cordelista Palestrante
Escritor infanto-juvenil
Poeta e Glosador

O Cordel em Ritmo de Ciranda

Postagem em 20/06/2010

Estamos em dias de copa do mundo, no ano de 2010, acontecendo na África do Sul, continente Africano. Muitas curiosidades têm sido reveladas por algumas rádios publicas; eu posso citar, entre outras, Nacional 1130 AM, MEC 800 AM e FM 98,9, sendo todas com prefixo do Rio de Janeiro. As tais curiosidades evidenciam a quantas andam nossas afinidades com o referido continente.

Mas meu objetivo não é falar da copa do Mundo de Futebol, e sim, não deixar cair a bola da Cultura de massa, algo do povo. Com a qual nos identificamos e somos parte. Por isso escolhi para a postagem de hoje "A Historia da Cultura Popular em Versos de Cordel - Ciranda". A Ciranda é um dos ritmos mais brasileiros, pois também chegou no balaio dos colonizadores. Depois de desafiar a mim mesmo, na condição de Produtor Cultural, cheguei a algumas conclusões que vou disponibilizar em versos de Cordel, com os tropeços de um Cordelista aprendiz.

Esta primeira e única estrofe serve apenas como exaltação aos Cordelistas.


Cordel feito de repente

Na lei exige respeito,

Uma cultura de gente

Fala da vida com jeito,

Os seus Vates competentes

Levam a vida sem defeito.


Este texto, cuja intenção é descrever a Ciranda como item de consumo e prática em diversas regiões do Brasil e do mundo, compõe-se de 36 estrofes em sextilhas que integram o segundo volume da série "História da Cultura Popular". Ele fala especificamente da Ciranda, como não poderia deixar de ser, e tem a intenção de ampliar o foco de luz dos futuros continuadores desta arte, reconhecendo seus precursores, que assim como eu, sobre a historia me debrucei e pude comparar, ao concluir as pesquisas, sobre as verdades, dentro das quais abalizei meu texto.

Nessa estrofe inicial, é possível comparar o que sabemos de forma aleatória, ao que podemos avaliar ao final da leitura. Falar de Luanda, foi um modo de lembrar que foi território colonizado pelos portugueses. Mas veremos em seguida, que o formato da dança da Ciranda, mais se aproxima de uma ação política social, uma vez que é circular, supondo igualdade entre as pessoas. Muita coisa do que somos, culturalmente falando, devemos ao país colonizador das terras brasileiras.


Talvez você desconheça

Onde nasceu a Ciranda

Feita de um ritmo legal,

Embora eu diga: Luanda

E sobre o legado seu;

Sem dúvida, em Portugal!


Nas duas estrofes próximas, na tentativa de desmitificar a origem do termo Ciranda, recorri as pesquisas do etimólogo Jaime Diniz, que assegura que a origem do verbete, vem do vocábulo espanhol.


Diz-nos a etimologia

Por padre Jaime Diniz,

Do vocábulo espanhol:

- Zaranda, isso ouvi,

Cujo objeto peneira

Farinha em tal país.


Mas consciente de si

Nas Arábias fui ouvir,

Palavras com mais beleza;

Como diz Caldas Aulete,

Veio do árabe Çarand,

Para a Língua Portuguesa.


A seguir, mais uma tentativa, de mostrar para você, a forma de sua utilização social ou como foi por povos oprimidos, utilizadas.


Escravos chegaram aqui

Cultivaram as raízes,

Dançar, cantar, sorrir,

Sem facetas ou deslizes

Um modo espetacular

Para que fossem felizes.


Embora sejam precisos

Seus passos podem mudar

Existem os mais conhecidos

Por quem a sabe dançar:

A onda, o sacudidinho,

O machucadinho há.


A Ciranda, algumas vezes,

É tida como política

A forma de conversar;

A metáfora coletiva

Gesto de cultura viva

Arte fim de educar.


Os diversos modos de produzir, ver e viver de uma ação cultural importada, mas apropriada na forma e no pertencimento.


A Ciranda é uma dança

De muitas mãos ajuntadas,

Com um punhado de idéias

Ou razões denunciadas

De inspiração mais rica

Do adulto a criançada.


A Ciranda é cultura

De massa de fino trato,

Dos bóias frias dos campos

Até os salões mais fartos,

Dos terreiros e bodegas

Das praias e dos regatos.


Tem a Ciranda de roda

De cunho tradicional

Usa-se Ganzá e Bombo

Um básico instrumental,

Mas a Cuíca, o Pandeiro,

E a Sanfona é normal.


O legado, a tradição e a pessoa que fez seus atos e nome ressoar, para o bem da preservação do formato e da pratica do ritmo.


Legado das tradições

Civilização pungente

Memória do meu sertão

No sincretismo presente

Uma razão construída

Brasilidade latente.


Cirandeira mais famosa

É Maria Madalena

Que não deixa o seu lugar,

O seu nome está gravado

Tornando-se conhecida

Lia, da ilha de Itamaracá.


Bem, devo encerrar esta postagem com as duas ultimas estrofes, que deixo como sugestão.


Fora floreios poéticos,

Meus versos abalizei

E conclui hipotéticos,

Em dados que pesquisei,

São saberes herméticos

Pois na roda cirandei.


Sugiro para encerrar

Um ato fenomenal:

Os doutores da política

Deviam em ato legal

Transcrever nossa Ciranda

Patrimônio imaterial.

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Louvação

Postagem em 03/05/2010

 

Senhor escuta o meu clamor

E dá-me vida o teu perdão

Eu quero viver o amor

E com êle a salvação

 

Senhor; a luz que ilumina o infinito

é tão linda e tão perfeita;

Em tudo há tua mão

Tão completa, tão solene e tão bonita

 

Senhor, a terra, o amar, as plantas

O caule, a flor, o fruto

A água que banho o corpo,

Do teu amor, tudo é fruto

O Cordel em Defesa da Vida

Postagem em 12/04/2010

Hoje eu tenho o prazer imensuravel de apresentar neste humilde blog, o monumental poeta Cordelista, paraibano Manoel Monteiro, membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Como disse no titulo, vou tratar de um assunto que muito nos interessa: a vida e nossas ações em defesa desta! Com o titulo de "O Planeta Água - está pedindo socorro", ele descreve ações do dia a dia que qualquer de nós precisa para seguir até o fim dos dias sobre esta terra, solo em que nascemos e sobre o qual caminhamos. O mestre Monteiro começa nos questionando, de forma simples em texto racional, em estrofes de setilha:

 

"Você sabia que é/

Preciso economizar/

Água doce de beber/

Porque senão vai faltar?/

E que é muito provavel/

Que água doce e potavel/

Em breve possa acabar? "

 

São 46 estrofes de pura sabedoria popular confirmadas por estudos tecnicos recentes e antigos. Esses estudos, dia após dia, comprovam a necessidade de se respeitar os limites que deixam escapar aos nossos ouvidos a mãe natureza. Por conta desta conta, que toda pessoa de bom senso, sabe que havemos de pagar, eu resolvi ilustrar com as estrofes 5 e 6 (cinco e seis), onde o ocupante de uma das cadeiras da ABLC diz:

 

"Água nunca foi nem é/

Um recurso renovavel/

Por isso não desperdice/

Nossa doce agua potavel/

O H2O bem composto/

Não tem gosto, mas seu gosto/

Tem sabor inimitavel".

 

É possivel que alguém/

Vendo a imensidão do mar/

Ache que tem tanta água/

Que pode desperdiçar,/

Mas isso não é verdade/

Preste atenção, por bondade,/

No numero que vou lhe dar."